São José da Lapa

      Lá por volta de 1870, o fazendeiro Joaquim de Souza Menezes construiu uma capelinha e ao lado um enorme cruzeiro (hoje Praça Dumas Chalita). O cruzeiro era apoiado em toda sua volta por imensas pedras que serviam de escada, onde as pessoas sentavam-se para descansar e contar casos, à tardinha.
     quadrasj1 Conta-se que os primeiros moradores, ao chegarem nessa região, olhavam a pedreira na serra, com suas pedras escuras e envoltas por árvores e imaginaram umas caras grandes e feias, daí a origem do primitivo nome “Carrancas”.
      A fazenda de Joaquim de Souza desenvolveu-se com o cultivo de cereais, hortaliças, frutas e produtos oriundos da moagem da cana, da mandioca e do milho, além do trabalho nas olarias e serrarias de madeira, atraindo mão de obra de localidades vizinhas, formadora do arraial de Carrancas.
      O Córrego de Carrancas, os açudes e o Ribeirão da Mata ofereciam fartura expressiva na alimentação. A caça e a criação de animais de corte também eram muito praticadas.
      O sabão, o azeite de mamona, o beneficiamento do café e do arroz, a obtenção de tintas para tecidos, preparo de doces e licores de jenipapo, abacaxi, jabuticaba e folhas da figueira eram tarefas das mulheres, que ainda encontravam tempo para fiar, tecer panos de algodão, fazer bordados, crochês e crivos. E dos fornos de cupim ou de adobe, rebocados com terra e areia saíam uma enorme variedade de quitandas. quadrasj2
      Existiam, na povoação, os serradores, carpinteiros, carroceiros, pedreiros, carreiros, oleiros, ferreiros, consertadores de calçados, além daqueles que queimavam a pedra da serra em fornos de barranco para obtenção de cal. Esta incineração da pedra calcária foi a precursora dos altos fornos mais tarde instalados pela Indústria de Calcinação (Ical)