Sete Lagoas

       “Sete Lagoas tem a honra de guardar os restos mortais de um grande homem. Francesco Saverio Larena, (...) Vindo da Itália, foi esbarrar em Sabará, depois foi para Raposos, sem destino propriamente. Na estação estava formando um comboio misto. Passageiros e cargas. Larena estava por ali quando alguém disse que vinha pra Sete Lagoas. Este nome entrou na cabeça sua mente e ficou martelando- Sete Lagoas... Sete Lagoas... Sete Lagoas. A partida do trem demorou uns cinco minutos e nesse espaço de tempo Larena ouviu a voz repetir-se por um milhão de vezes. Uma sineta anunciou a partida. O trem movimentou-se e ao passar o ultimo vagão Larena agarrou-se ao balaústre, ganhou a plataforma, entrou no carro e assentou-se.

       Veio vindo. A tal Sete Lagoas não lhe saía da imaginação, tanto que viajou calado, maquinando. O misto parava aqui, parava ali. Desce carga e sobe carga. O chefe do trem anunciava: Sabará, General Carneiro, Santa Luzia, Capitão Eduardo, Ribeiro da Mata, Dr Lund, Pedro Leopoldo, Matozinhos e finalmente, Sete Lagoas. Parou o bicho. Larena desembarcou. Já na plataforma da estação, suspirou, olhou para os lados, pensou na vida e lhe indicaram a pensão do João Conrado, onde mais tarde seria a Casa Larena. Ali se hospedou. Isso em 1901.

serralheria      Larena um homem alto, muito gordo, o que não lhe prejudicava a simpatia. Usava cavanhaque que ficava-lhe muito bem e lhe dava um aspecto agradável. Um homem de peso, como se dizia naquele tempo, para distinguir as pessoas respeitáveis e de bem. Larena usava um boné de seda preta e tinha o hábito de, com as mãos para trás, segurando uma na outra, andar de um lado para ou outro, assoviando. Quando numa roda de amigos, dava gostosas risadas. Tinha ofício de ferreiro e serralheiro. Arranjou um cômodo com o João Conrado no mesmo prédio da pensão e montou uma pequena oficina.

    Progrediu. Agora tinha auxiliares: Joaquim Ferreira, Andrade Fernandino, João Veríssimo, Fernandino Andrade, Saturno Verdolin, Toninho Nascimento, Chico Pinto e outros...”

Extraído do livro: Minha Sete Lagoas - Jovelino Lanza. Pag 125.